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Sam ao Luar

Sam ao Luar

17
Ago21

2018 volta, estás perdoado

Sam ao Luar

Queria dizer qualquer coisa engraçada, mas hoje não dá.

Em 2019, fui a mais funerais do que em toda a minha vida: 2 avôs, uma madrinha e um padrinho. E na passagem de ano pensei "ainda bem que este ano acabou, venha o próximo!".

Em 2020 bateu o Covid: quarentenas, restrições, teletabalho, tele-escola, decretos-lei e medidas de contenção, férias de caca, tempos de caca, irmã enfermeira em tempos de caca. O medo, a tortura de não se poder estar próximo e de dar um abraço. Sempre as mesmas notícias. Os amigos que não se vêm e que se vão perdendo. A vida que se vai perdendo, devagarinho. E na passagem de ano pensei "ainda bem que este ano acabou, venha o próximo!".

Agora, em 2021, mais Covid (mais controlado mas sem fim) e uma situação muito próxima de tormento. Quando alguém que te é tão querido, vai ao purgatório e volta, e depois vai outra vez e não sabe se vai sair. Chama-se a depressão e não tem cura. Chama-se a estabilidade familiar que acaba, os papéis que se assinam, a emocional, psicológica e física, tudo desaba.

Os antigos diziam (e quem é crente também) que Deus só dá a quem consegue aguentar. E nós ainda estamos aqui. Fortes e corajosas. O que virá a seguir?

2018 volta. Estás perdoado.

05
Ago21

O têm em comum a Eurovisão e os Jogos Olímpicos?

Sam ao Luar

Sou fã de ambos desde cedo.  

Nasci na década de 80, aquela em que era quase sagrado a família inteira sentar-se na mesma divisão a ver o Festival da Canção naqueles televisores descomunais, com 4 botões e em que o membro mais novo da família era o comando (eu!). Perdi o interesse pelo Festival da Canção durante algum tempo. Houve aqui uma década em que o festival perdeu muita qualidade e concorria praticamente quem queria, com talento ou não (disclaimer: é a minha opinião!). 

Hoje em dia, participa no festival com convite. A qualidade é "ligeiramente" superior. De há uns anos para cá, tem sido bastante competitivo. A música do Festival mexe comigo. E então a Eurovisão é simplesmente genial! Goste-se ou não de música, a qualidade das composições, do espetáculo, toda a envolvência, a emoção da votação e o tentar adivinhar os 3 primeiros... O mês de Maio é o melhor mês do ano! Quem me tira a televisão nos dias da Eurovisão, merece castigo. 

Os Jogos Olímpicos despertam o meu interesse desde sempre. As minhas modalidades preferidas são todas aquelas relacionadas com a ginástica (artística ou rítmica). Uma das minhas melhores amigas da adolescência praticava uma das vertentes desta modalidade. Lembro-me de passarmos algumas aulas a imaginar e a desenhar fatos de ginástica.  

Hoje em dia, dou mais valor ainda a estes desportos. Além de esteticamente muito bonitos, o grau de dificuldade e exigência deve ser tremendo. Ir ao ginásio e fazer certos exercícios é quase suplício, quanto mais fazer piruetas encarpadas e engrupadas e o diabo a mil! Aumentar 1% de massa muscular na balança é dificílimo; eles têm que ter músculo em todo o lado e força e destreza, equilíbrio, concentração, foco, a mente no sítio, tudo no sítio. Têm que ser muito fortes! 

O que têm em comum a Eurovisão e os JO? O sentimento de pertença a qualquer coisa muito superior a nós: esquecer a política, a desgraça, a economia, a corrupção, o simples facto de existirem fronteiras, partidos, presidentes e guerras. 

A Eurovisão é uma "competição" com música. Apesar de não gostarmos da música do nosso país, é NOSSA. Nos JO, torcemos pelos nossos atletas e por todos aqueles que treinaram uma vida inteira, com sofrimento, com lesões, muitas vezes com maus tratos dos treinadores, com paixão, com fervor, apenas para se verem reconhecidos no pódio do Olimpo. Quase como se conseguissem ascender a Deuses. Choramos com os hinos e o hastear das bandeiras. Sentimos que pertencemos. A solidariedade, a amizade, a competição saudável, o respeito... quem não gostaria de lá estar? De sentir-se "maior do que os homens"? 

02
Ago21

Por falar em tirar o tapete debaixo dos pés...

Sam ao Luar

Desde ontem à noite que o meu pequeno faz picos de febre. Felizmente, sempre foi uma criança bastante saudável. Aqui neste lar os medicamentos passam a validade...

Já intercalei paracetamol e ibuprofeno, já vi se estava tudo dentro do prazo, já conferi as doses mais do que uma vez. Já fiz sopa branca e dei muitos líquidos. Os picos de febre teimam em aparecer. Não tem borbulhas, nem tosse, nem espirros, nem manchas, nem garganta vermelha, nem pontos brancos. Apenas 2 molares a nascer e dores de cabeça (decorrentes do febre, suponho).

A certa altura, meço a temperatura e passa dos 39,5º. Telefonei para as urgências: para a minha irmã, que é enfermeira, sabe tudo e é o meu contacto AAA (para quem não souber, é o nome que se deve colocar no contacto de emergência pois vai ser o que aparece em primeiro lugar na lista telefónica do telemóvel).

Diagnóstico: é uma virose. Tratamento: arrefecer. Tira a roupa, deixa em cuecas, paninhos frios na testa. 3 dias, já sei, incha, desincha e passa. Nunca a febre tinha sido tão alta. Ponho o pano na testa, seguro, olho com carinho e dou um beijinho.

"Obrigado, mamã. "Porquê, filhão?" "Pelo beijinho". "Mas eu dou-te tantos beijinhos!" E começa a choramingar com sinceridade. "Desculpa por teres que tratar de mim hoje" (o coração estalou mas ninguém ouviu). Expliquei-lhe com amor que a função das mamãs é cuidarem dos bebés quando eles estão doentes e mesmo quando estão bem.

Deitei-o na minha cama para que durma ao meu lado esta noite. "Amanhã já estás melhor, ok?" "Ok, podes apagar a luz para eu descansar?" Disse a oração de boa noite e fechou os olhitos. No escuro, escorreu-me uma lágrima.

Ser mãe é isto: ser forte quando é preciso. Não demonstrar receio mesmo que doa o coração. E chorar sempre no escuro para ninguém ver.

PS: para todos aqueles que acham que é Covid, e que devia ter ligado para o bla bla bla bla, por favor, não comente. Toda a vida houve viroses, amigdalites, otites, faringites e coisas ites e toda a gente sabe que essas merdas duram 3 dias. 

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