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Sam ao Luar

Sam ao Luar

27
Fev22

Irritei-me por causa de um waffle com chocolate.

(e nem sequer era dos bons)

Sam ao Luar

joao porfirio observador.jpg

(Foto de João Porfírio - Observador)

Irritei-me por causa de um waffle. Daqueles super processados, que se compra no supermercado. E nem era dos muito bons. Porquê?

Porque estava a precisar de uma merda qualquer com açúcar. Porque quando os vi dentro do armário, em consciência, não devia comê-lo e depois já não havia quando eu queria, e alguém os comeu. E não percebeu porque me irritei.

Porque sou mulher, com flutuações graves de humor. Porque sou mãe, esposa, filha, irmã, professora, dona de casa, funcionária e porque temos que ser tudo ao mesmo tempo. Porque tenho dias bons mas também tenho dias maus. Porque tenho que ser forte para dar conforto a um filho que vai tomar a vacina num dia em que me apetecesse atirar da varanda e ver se tenho asas para voar. Porque acho que a balança devia ter-me dado boas notícias e afinal não mudou nada. E agora só quero comer. Porque estamos que estar presentes sempre para quem precisa. Porque há dias em que não tenho paciência, nem vontade nem coisa nenhuma.

Depois vejo esta foto. E choro. Não porque nunca tenha visto o começar de uma guerra. Já vi o mesmo no Iraque, em Timor, no Afeganistão, na Síria... e na Ucrânia. Não chorei porque achei que estava a ser mesquinha nos meus sentimentos supérfluos e que há motivos muito mais importantes lá fora.

Chorei porque ninguém deveria ser obrigado a despedir-se de quem gosta, sem saber se algum dia irão encontrar-se. Deve ser doloroso. Corta o coração e a alma. Desfiei o diálogo daquele casal na minha cabeça "Não quero ir", "tens que ir para ficares segura", "tem cuidado", "não te preocupes, eu tenho, vai correr tudo bem, logo logo estamos juntos", "liga-me todos os dias", "amo-te, toma conta das crianças", e assim por diante.

Não quero falar da guerra, das consequências, da crise que se avizinha no mundo e na Europa. Tudo foi dito e muito mais ainda alguém dirá. Quero falar da pressão que nos impõem na infância, na idade adulta, em todo o lado, para que reprimamos os nossos sentimentos, frustrações, o nosso cansaço e a nossa irritação e a falta de vontade de continuar. Quando nos dizem, vezes sem conta, que temos tudo, saúde, casa, comida e roupa lavada e mesmo assim estamos cansados, que não temos motivos para andar tristes nem alheados. Olha para a desgraça que vai lá fora! A pressão que existe para que sejamos tudo e mesmo assim, para que andemos sempre bem e felizes. Porque há sempre gente que está pior que nós.

Aprendemos a chorar baixinho, a esconder os sentimentos, a ser pedra.

 

 

 

 

21
Fev22

52 semanas de 2022 - amizades do coração

Mini dissertação sobre o caracter evolutivo da amizade

Sam ao Luar

Estou convencida que o conceito de amizade adquire vários significados e evolui, através de um processo semelhante ao da seleção natural.

Na adolescência acreditamos que criamos amizades para a vida. São o mais importante que temos no mundo, muitas vezes acima de tudo o resto. Trata-se de uma tentativa mórbida de inclusão e aceitação de grupo. Tendemos a agir para enquadramento social, muitas vezes em detrimento do nosso bem-estar. Ou seja, fazemos muitas asneiras... E as amizades desaparecem. Fica nada.

Já na idade adulta (mas ainda dotados de imaturidade) acreditamos que somos independentes, que os amigos são passageiros, que há vários tipos de amigos, cada qual adequado para a respetiva ocasião: o amigo da corrida, o amigo da cerveja e das cartas, o do café, aquele que vai à praia, etc. Mas no fundo, no fundo, aquele amigo que vem quando precisamos, não há. Além disso, temos vergonha de admitir que dele precisamos. E, portanto, passamos este período de adultez imatura, sozinhos, mas acompanhados.

Nesta fase de maturidade (aquela que tem a perfeita noção de que ainda tem muito para aprender) em que me encontro, tenho a clara noção de que algumas amizades que fizemos na adolescência se mantiveram toda a vida em estado latente e que acabam por voltar. Sei que há "amigos" que só ligam mesmo quando é para pedir alguma coisa ou para "jogar e beber cerveja" e está tudo bem também.

Há outros, aqueles que eu mais gosto, que foram feitos numa partida do destino. Entraram assim na minha vida e no meu coração: uns devagarinho, quebrando barreiras, outros de rompante, quase sem pedir permissão. Aqueles que me dão tempo para respirar e que também me tiram o fôlego. Que concordam em discordar. E que me trazem felicidade: me aquecem o coração e a alma. Me dão paz e alento. Sanidade mental e qualidade de vida.

 

Desafio de Escrita - 52 semanas de 2022

Também participam neste desafio: A Introvertida, Ana do Green Ideas, Anita Não se Cansa disto, Bruno no Fumo do seu Cigarro, Carlos Palmito, Cristina Aveiro, Di a Mulher, Fátima Bento, Isabel M Silva, João-Afonso Machado, José da Xã, Maria Araújo, Maria do Abrigo das Letras, Olga Cardoso Pires, Purpurina

09
Fev22

Quero que sejas feliz.

Sam ao Luar

- O que me querias dizer no outro dia?

- Queria dizer-te que só quero que sejas feliz.

- Eu sou feliz.

- Se pudesses ir para o sítio onde és mais feliz, com quem és mais feliz, para onde irias? Com quem estarias? Não é para responderes, é para pensares. A tua felicidade depende só de ti e das tuas ações e opções? Então, vai. Liga a quem tiveres que ligar para que vá ter contigo. Diz o que tens para lhe dizer. Onde estás agora e o que tens, pode esperar um bocadinho. Vai. Sê feliz. 

 

Desafio 52 semanas de 2022 - felicidade...

07
Fev22

Pequenas Vitórias

Sam ao Luar

- Tomares o teu primeiro café sem açúcar (e acompanhá-lo com um twix)

- Saíres para ires às compras, apanhares todos os condutores de domingo pela frente e conseguires controlar a subida da tensão arterial (ou seja, não te passares da cornadura)

- Conseguires preparar uns Muffins saudáveis para os lanches da semana (e ter esperança que os sobrinhos não os comam todos ao lanche)

- Responderes a uma mensagem da tua patroa, ao domingo, com um simples "Liga-me amanhã.

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