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Sam ao Luar

Sam ao Luar

22
Nov21

A noite (que se tornou a) mais importante do ano

Sam ao Luar

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Lá no ginásio (aquele que é o mais fixe da minha zona) fazem, todos os anos, a entrega dos globos. Criam várias categorias, nomeiam várias pessoas, a malta faz campanha e depois fazem uma gala, com toda a pompa, onde se entregam os prémios. Cada qual faz o seu discurso, ficam todos muito emocionados. 

Tirando o facto de que, nos últimos 2 anos, não ter existido gala (o Covid tirou-no as possibilidades de comer, beber, conviver e curtir à grande nos últimos tempos) e de, praticamente, ser o único dia em que faço a depilação, vou ao cabeleireiro e me visto mesmo bem, este ano fui nomeada. Mentira, já tinha sido nomeada ano passado, mas olha, Covid, né?

Categoria Revelação. Entre outras categorias que existiam como assídua, simpática, atlética,... Revelação (vou deixar entoar nos vossos ouvidos...). Não vou ser "pseudo"-modesta e dizer que não merecia, as outras nomeadas trabalharam mais do que eu, blá blá blá. Eu merecia. Ponto. Todas elas perderam quilos e quilos de peso (60, 40, 30) não me interessa. Eu perdi à volta de 15 kg desde que entrei no ginásio. Só. Tinha quase 40% de massa gorda no meu corpo. Neste momento tenho menos de 25%. A massa muscular, essa sim, subiu quase aos 40% (quase, ainda vai lá chegar...). Trabalho que me farto, esforço-me que me farto, ando espalmada todas as semanas (e gosto!).

Mas nunca pensei que fosse ganhar. Eu disse no meu "discurso" (que mais pareceu um resquício de voz trémula) que nunca pensei ganhar o que quer que fosse, dada a minha incapacidade natural de fazer amigos. E já toda a gente sabe que, nestas coisas, muita gente vota pelas amizades. E estava lá muita concorrência boa.

Eu queria aquele prémio. Mesmo antes de ser nomeada. Escondi-me durante muito tempo. Com medo de ser julgada. Com medo que não gostassem de mim. Chega. Perdi a minha cara, o meu sorriso, a minha confiança, o meu à vontade. Caminhei de cabeça baixa durante muito tempo, para não ser vista. Chega. 

De repente, senti como se tivesse entrado para o grupo dos fixes da escola. Recebi cumprimentos de pessoas que eu sabia que existiam, mas que não sabiam que eu existia. Olhares e sorrisos da malta fixe do ginásio. Choveram mensagens, a fama é uma coisa engraçada... Nunca tinha sido vista antes. Foi giro, mas acabou. O meu mau-feitio vai continuar. A minha vontade é a mesma. Esta aqui vai continuar a correr de auscultadores nos ouvidos na mesma, para não perceberem que ela é surda de um lado. Que se perde nas aulas porque não consegue ouvir as instruções dos professores. Que às vezes, não cumprimenta as pessoas porque não as ouve e porque não sabe sorrir direito. E continuo a quere mais e melhor. Muito mais!

Dediquei o meu prémio o meu PT. Ele é a minha inspiração. Se eu sei que lhe pago e que sou o trabalho dele? Sim, eu sei. Mas ele entrou na minha vida quando eu estava no meu pior e foi a pessoa que mais trabalhou em mim, mesmo sendo pago para isso: me acompanhou, me compreendeu, me aturou, me falou, me aconselhou, me motivou, me espicaçou, me ralhou, me deu a sua amizade, o seu carinho, a sua atenção, me levou ao meu limite, me limpou lágrimas e me abraçou quando precisei. E me trouxe de volta... Devo-lhe quase tudo. Não sei se algum dia ele lerá estas palavras. Mas ele sabe-as. 

 

 

 

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