"E depois do nós... o ficarmos sós"
Ser professora é um sítio estranho.
O meu real problema é passar a maior parte da minha convivência com seres da mesma espécie... menores de idade. Uma colega de profissão mencionou (num dia em que totalmente substituiu o sumo de um pacote de litro por um bom vinho, por isso, não sei se efectivamente sentia o que dizia) que os do nosso tipo têm a mente constantemente jovem e atualizada, devido à convivência com gente jovem.
Até concordo. Consigo descer ao seu nível de calão e imiscuir-me nas suas conversas destravadas, tal professora "fixe" que senta e convive com eles.
Mas chega ao final do dia e eu sinto, honestamente, com todas as ganas do meu ser, a necessidade de falar com adultos. Ter um diálogo sem "tipos e coisas e cenas". Falar de coisas sérias ou parvoíces, tanto faz. Mas falar com alguém que saiba conjugar o verbo "estar" em substituição do vulgar verbo "tar".
Considero-me uma pessoa até bastante autoconfiante. Mas sinto dificuldade, depois de várias horas a falar dialeto "adolescentês", em ter um diálogo adultamente falado. Não sei de que conversam os adultos no seu dia a dia, não vejo notícias (tenho um filho de 6, vejo Panda e SIC K), não sei responder ser parecer descabida, sem sentir sobre mim aquele olhar reprovador de "sério que estás a dizer isso?" (e agora aparece aquele gif de alguém com muita vergonha a encolher os ombros como quem diz "eu avisei").
Talvez seja por isso que sou desprovida de amigos. Ou isso ou sou mesmo má pessoa!