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Sam ao Luar

Sam ao Luar

16
Out21

Ainda há muitos covidiotas

Sam ao Luar

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Quase perdi a fé nas pessoas.

O meu filho teve tosse uns dias, nem o levei à escola, por precaução. Hoje em dia nunca se sabe. As crianças, pelo menos as mais pequenas e o meu filho entrou no 1º ano, não se sabem "tratar". Os rapazitos nem se dão ao trabalho de tirar o casaco para brincar, ou vestir o casaco quando está frio. Este ciclo de tempo instável com o "sua, seca e sua outra vez" contribuiu para que, de um dia para o outro, fizesse febre. Parcetamol para dentro, no dia seguinte estava com pontos brancos na garganta. Amigdalite, portanto. 

A temperatura sobe outra vez, mais paracetamol, meto a criatura no carro, dirijo até ao centro de saúde. A criança fica no carro. A mãe entra e pergunta se ainda tem alguma conssulta aberta disponível ou vaga para algum médico.

- Porquê? - pergunta a rececionista.

- O meu filho está no carro, já fez febre e já tem pontos branc...

A senhora afasta-se 2 metros de mim, mesmo por detrás do acrílico, abana os braços e responde bruscamente:

- Doenças respiratórias não é aqui. Tem que ir para o centro de saúde de XXX.

- Mas não é uma doença respiratória, ele está com pontos brancos na garganta, é provavél que precise de antibió...

- JÁ LHE DISSE, DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NÃO É AQUI!

Saí logo dalí, dirigi-me para o centro em questão, esperei mais 2h por consulta. Trouxe o dianóstico de amigdalite e receita de antibiótico e anti-inflamatório.

Isto tudo para dizer que eu aprendi algumas coisas com os sucessivos isolamentos e 2 tortuosas quarentenas. Aprendi a ser mais humilde, paciente, a dar valor às pequenas coisas que me fazem feliz. Aprendi que devemos pedir quando precisamos de ajuda e que, afinal, ninguém consegue viver sozinho. 

Pensei que algumas pessoas poderiam ter aprendido a capacidade de ajudar quando alguém precisa e, especificamente, nos centros de saúde, algumas pessoas já deveriam ter aprendido que nem tudo é Covid e a deixarem de ser covidiotas. Que as crianças continuam a ter faringites, amigdalites, gastrites, todas elas víricas e que nem todos os vírus são do tipo corona. 

O meu filho não tinha uma doença do foro respiratório. Se a senhora tivesse tido boa vontade e ligado para o consultório do médico que estava de serviço e perguntasse se tinha 5 minutos para ver a garganta do meu filho, o médico provavelmente não se teria oposto. E, se se tivesse oposto, volto a conversa ao ínico do parágrafo anterior.

Ainda há muita gente que não deve ter aprendido grande coisa. Compreendo a exaustão e o cansaço de certas situações. Mas mesmo a exaustão e o cansaço não podem ser justificação para tudo.

Imagino se fosse uma situação mais grave, como muitas o devem ser.

10
Jul21

Vamos ser amigos outra vez?

Sam ao Luar

Hoje passei por uma situação que me deixou de coração partidinho. 

Premissa n.º 1: há regras de frequência das praias em tempos Covid; manter a distância entre guarda-sóis e essas tretas.

Premissa n.º 2: crianças querem briancar com outra crianças; filhos únicos querem brincar com os filhos dos outros.

Posto isto, estava eu sentada na areia, na linha de água, com o meu pequeno a brincar junto às rochas, a atirar pedrinhas ao mar. 10 metros mais a sul, está outro pequeno, sozinho, a fazer exatamente o mesmo. O meu pequeno pergunta se pode ir brincar com ele, respondo que pode, mas que sabe que não pode ir muito para a beira dele, a mãe dele pode não achar bem (relembro, que em tempos covid temos que ter estes cuidados, para não ferir susceptibilidades).

Às tantas, pergunta-me envergonhado: "mas, ò mãe, o que é que digo?" Meu Deus, pensei, como é que uma criança, em idade escolar, tem esta dificuldade em socializar? Tive tanta pena! Suponho que o problema não seja do meu filho único, mas de todos os filhos que foram privados de contacto social, vai já fazer 2 anos disto, e perderam a noção de como se faz amigos. Como pode uma criança estar já preocupada com estas coisas, supostamente, tão simples e inocentes?

Respondi: "então, perguntas-lhe o nome e se podes brincar com ele!" E foi o que fez, salvaguardando a distância. Chamava-se Diogo e durante uns breves minutos estiveram os 2 a procurar pedrinhas na areia e atirar ao mar. Às tantas, aproxima-se uma senhora, suponho pela idade que seria a avó e disse, não de modo arrogante ou pedante, mas de modo a que eu ouvisse "já te disse que tens que brincar sozinho!"

Como é?

Como é possível que se possa pedir a uma criança para que brinque sozinho? Para que não tenha contacto com outras crianças? Como é que o medo pode estar já tão enraizado em nós que nos obrigue a pedir a uma criança para que isole, não interaja com outras crianças, que seja sozinha? 

Acredito que as nossas crianças Covid tenham dificuldades a todos os níveis, no futuro. De aprendizagem, de socialização, independência, até de imaginação. Sinto-me infinitamente triste por termos todos que passar por estas situações, cuja culpa não é de ninguém, mas é de todos.

No entanto, uma réstia de esperança cresceu em mim, no momento em que o Diogo e a família passaram por nós, à ida embora. 

- Xau Diogo - diz o meu.

- Xau!!!

- Vês? Fizeste um amigo, pode ser que amanhã venha outra vez - disse a avô.

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