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Sam ao Luar

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31
Jul21

Tema 7 - Um padre, um negacionista e o Gustavo Santos, num bar.

Sam ao Luar

https://desafiodospassaros.blogs.sapo.pt/

Em cima do palco, vê-se o que aparenta ser um bar de fraca qualidade. Há mesas redondas de madeira descascada com 2 cadeiras cada uma, mas todas vazias. Um balcão de bar, também de madeira, com tampo em fórmica preta. Por trás, um empregado de bar de calças de fato pretas, desbotadas pelo uso, camisa branca ligeiramente aberta. Tem a barba por fazer e o olhar cansado. Limpa o copo de vidro com um pano de cozinha, evita a todo o custo as manchas. 

Sentadas ao balcão estão já 2 personagens: o Padre Nuno e o negacionista José. Entra em cena o Gustavo Santos. Senta-se numa cadeira de bar, ligeiramente afastado e ouve atentamente. 

Gustavo: - Boa noite, meus senhores.

P. Nuno: -Boaz noitez. 

José: - Nem por isso. 

P. Nuno: - Atão, Zé, outra vez nisso?

José: - A vida não tá fácil. É sempre a mesma coisa todos os dias. Apetece-me mandar tudo pró alto e sair daqui, pá. 

P. Nuno: - óóó ó Xozé, deixa-te disso, pá. Axas qué facil lidar com as senhoras assanhadas da confissão todoz oz diaz? Sabez o que tenho de faxer para cativar as ezmolaz no dia a dia?  Ixto de ser sacristão tem muito que se lhe diga! Querez trocar comigo? 

José: (ri-se com ar maroto) - Não nego, sr. Padre. Não acredito em nada no meio desta merda toda mas não sou burro! Há coisas na vida que não se renuncia. Antes negacionista que desconsolado! 

P. Nuno: - óóó ó Xozé, não digax palavrões! Caraças, amigo! Deux castiga! 

José: - ó sr. Padre, você sabe que eu já fui diagnosticado! Essa cena da religião não existe. Assim como essas tretas das forças gravíticas e universo, isso não existe. É tudo a matrix. Anda aí alguém a mexer os cordelinhos à sua vontade e nós é que nos cagámos todos para viver bem a vida. Desculpe lá... 

O Gustavo Santos intervém na conversa pela primeira vez, em voz rouca e triste. 

Gustavo: - Sr. José, certo? Tem que me dar o contacto dessa sua psicóloga ou psiquiatra ou lá o que é. Ando há meio ano à procura de emprego e já estou um bocado farto disto.  O meu nome é igual a uma “vedeta” qualquer que escreve bonito. Estão sempre à espera que eu diga coisas lindas e que motive toda a gente logo na entrevista. Eu sou engenheiro, carago! Não gosto de pessoas, gosto de máquinas! 

Ficam todos em silêncio durante algum tempo. O Barman não tece palavra e revira os olhos. Olha de soslaio para o relógio. Faltam 5 minutos para acabar a noite, os atores acabam de bebericar as cervejas. Graças a Deus!  

16
Jul21

Desafio dos Pássaros 3.0 - Tema 6

Sam ao Luar

Tema 6: Teoria da conspiração envolvendo Bill Gates, indústria alimentar, Xana Toc Toc e polichinelos. 

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O Bill sacou da última baforada do seu cigarro com sabor a mentol. Estava a suar tanto como a Xana. Tinha sido uma noite bem produtiva: fartou-se de rir ao ver a sua saia farfalhuda e colorida aos saltos, enquanto a Xana fazia... polichinelos. 

Já eram amigos faz tempo e já tinham planos para dominar novamente o mundo. Ele já dominava o mercado dos sistemas operativos nos computadores, faltava o sistema operativo dos telemóveis e tablets (aqueles gajos da Googlix meteram-se no caminho). A Xana tinha tido uma pequena aparição com a sua mala cor de rosa. E foi só isso. 

Agora é que ia ser. A Xana queria as suas pastilhas elásticas TocTocs, com recheio surpresa (que podia ser morango, banana, cola, ou outra coisa qualquer, incluindo sabor a fruta podre, que obrigaria a qualquer indivíduo, adulto ou criança, consumir outro TocToc para eliminar o sabor, a não ser que fosse tripa enfarinhada e o consumidor não gostasse de rojões).  

O Bill queria incluir no recheio a sua mais recente microtecnologia: pequenos vírus eletrónicos que se alojariam nas meninges do cérebro e, progressivamente, iriam alterar os circuitos nervosos neuronais. Os consumidores de TocTocs, num futuro próximo, iriam preferir o sistema operativo "Wandows" nos seus dispositivos móveis, qual varinha mágica do Harry Potter, que lhes desse possibilidades infinitas de felicidade. 

- Então, Bill, temos negócio? 

- Acho que sim, Xana. Vamos dominar o mundo. Faz mais uns polichinelos para mim, fazes? 

A Xana, solícita, sem querer perder outra oportunidade de subir na vida, começou novamente aos saltos. 

 

02
Jul21

Desafio dos Pássaros 3.0 - Tema 5

Sam ao Luar

O Tinder. Aquela aplicação onde ninguém se descreve como realmente é. Onde identidades e sonhos são roubados. Onde somos todos fisicamente desejáveis e psicologicamente somos aquilo que nos der na real gana. Até os astros têm razão...

Ela apresenta-se como fisicamente bem constituída. Cabelos compridos, loiros (pintados, claro!), olhos verdes ou azuis, consoante a luminosidade do dia. É modesta, conservadora, gosta de roupitas curtas, a deixar ver o umbigo e o piercing com diamante lá pendurado. 23 anos de idade, leão, fogosa, já com alguma rodagem.
Ele apresenta-se como jeitoso e espadaúdo. Cabelo encaracolado, mas bem aparado. Barba bem feita, cortada no melhor barbeiro da zona, olhos castanhos e profundos. É senhor de negócios, por isso veste fato e camisa bem passada. 27 anos, sagitário, bem armado.

Ela esqueceu-se de dizer que é bodybuilder, que tem os músculos todos bem evidentes, que faz solário por desporto, que o peso que a máquina que o ginásio carrega já não é suficiente. Ele esqueceu-se de dizer que é anão.

Combinaram encontrar-se no café da moda, lá da freguesia. Pelo Tinder. Ela esqueceu-se de mencionar um modo de a reconhecer. E ele também não perguntou. Ela é a Ana e ele é o João.

Lá no café da freguesia ela perguntou ao emprego de balcão se conhecia o João, 27 anos, sagitário, empresário. Ele, o empregado de balcão olhou-a de alto a baixo, lascivo. Disse que não e pensou que poderia sacar-lhe o número de telefone mais tarde. Ela sentou-se e esperou.

O João chegou e olhou sorrateiramente à volta, procurando uma menina de 23 anos, bem vestida, de top curtinho com o umbigo à mostra. A única menina que viu foi aquela senhora grande e musculada, bronzeada como se tivesse estado no forno mais do que tempo previsto. Sentou-se e esperou.

O tempo passou e ambos desistiram. Pensaram, envergonhados, que o outro não tinha tido coragem de aparecer. Ela, desorientada, acabou por dar o seu número ao empregado de balcão jeitoso. Ele, desiludido, bebeu a sua cerveja, viu as vistas, e continuou a tratar dos seus negócios no telemóvel.

O Tinder. Aquela aplicação que, na realidade, não serve para nada.

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18
Jun21

Desafio dos Pássaros - Caramba, quase que conseguia!

Sam ao Luar

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            O Dr. Roberto olhou para o relógio. 12h15. Já era a terceira vez que entrava naquela sala fria hoje. “Morrem sempre em trios”, pensou ele.
            O Dr. Roberto é tanatologista. Olhou para o corpo sem vida estendido na marquesa. As primeiras vezes que o fez, fê-lo com alguma relutância, como se estivesse a profanar o corpo de alguém. Hoje em dia, e sendo ele médico de grande experiência e renome, fá-lo como assim deve ser: sem sentimento algum envolvido.
            - Vamos a isto. É para acabar antes da 1, que tenho almoço marcado com a Camila.
            - Sim, Dr. Penso que vai ser fácil.
            Ligou o equipamento de gravação. “12h16. Indivíduo do sexo masculino, 84 anos de idade. Provável causa de morte: enfarte do miocárdio”.
            - Sabrina, bisturi.
            - Sim, Dr.
            Começou por traçar a abertura em Y, tão característica das autópsias. Cuidadosamente, e com a destreza de mestre, começou a separar todos os órgãos internos, intactos e a pesá-los um a um. O sangue, ainda que coagulado, devido ao rigor mortis, começou a acumular-se na marquesa metálica e a escorrer para o chão. Era assim mesmo que normalmente acontecia. Aquela sala fria, toda revestida a tijoleira branca, com grades no chão, concebida para posteriormente alguém lavar tudo à mangueirada.
            - Coração, 300g. Coloração e aparência normal. Fígado, 1200g. Coloração e aparência normal. Pulmão direito, 1000g...
            - Dr.,…
            - Eu sei, Sabrina. Isto não está bem. Verifica o peso novamente, por favor.
            - É 1Kg, Dr. Parece duro, este pulmão.
            - Bolas. Tira amostras dos outros órgãos todos e envia para o laboratório. Histologia e toxicologia, o normal. Este vou abri-lo já...
            A sua curiosidade e excitação começaram a subir. “Isto afinal vai ser interessante!” Começou a abrir o pulmão direito, devagarinho, com gentileza. “Não quero estragar o que está cá dentro.”
             - Dr., não é possível....
             - Olá! Esta nunca tinha visto! Já tinha ouvido falar, mas ver... espetáculo! Tira fotos, Sabrina. Este vai para artigo.
            Dentro do pulmão direito do Sr. Acácio, porque agora já se sabe o seu nome, estava um feijoeiro, recém-criado. O Sr. Acácio, provavelmente engoliu um feijão mal cozinhado, que viajou para o trato errado e seguiu o do sistema respiratório, alojando-se no seu pulmão. O ambiente é quente, escuro e húmido, propício à germinação da semente.
            - Sabrina, tesoura. Quero cortar um pedaço desta beleza e está preso.
            - Sim, Dr. Precisa de saco de amostra?
            - Não, este vai para o frasco no museu.
            - Sr. Dr., são 13 e 15. A D. Camila já deve estar impaciente à espera.
            - Caramba, quase que conseguia!

04
Jun21

Não aguento mais contigo.

Sam ao Luar

- Não aguento mais contigo! - afirmei, enquanto o atirei para longe.

Aquele vestido já não me serve, não me fica bem. Já nada me fica bem. Já não me reconheço neste corpo. Desde que o bebé nasceu, que já não consigo olhar para o espelho. A cicatriz ainda me dói... nem a fralda eu consigo trocar. Tenho que me ajoelhar. Dói-me tanto as costas!

Estou tão cansada. Cansada das fraldas, das mamadas, das fraldas outra vez, das papas, noites sem dormir, mamas dormentes, cabeça dormente, costas dormentes... Quero fugir.
Já não me lembro de tomar banho, trocar de roupa, maquilhar-me, sair para trabalhar. Aquele f... despediu-me. Só porque estava grávida! Grande merdoso. Se fosse a esposa dele a ser despedida, ligava para as autoridades. E agora? O que vai ser da minha vida?

Estou feia, triste, dormente por dentro. Eu vi a conversa dele com ela, on line. Acho que ele não sabe que vi. Ele também já não deve gostar de mim, por isso lhe falou assim. Nunca conversou comigo assim. Também precisei tantas vez do seu apoio e ele nunca me encorajou assim. Ele convidou-a para um café. Eu sei que eles trabalham juntos e que ele chega sempre tarde a casa. A viagem é tão curta, porque demora tanto tempo? A noite cai tão cedo e eu conto os minutos todos até ele chegar. Para me sentir acompanhada outra vez... Eu sei que ele não tem saudades minhas.

Eu sou fria. A mãe disse-me que eu era fria e calculista. Ainda era adolescente e ela tinha razão. Nunca me ensinaram a ter mimo nem a dar mimo. Não lhe sei dar mimo e ele queixa-se. Será por isso que já não tem saudades minhas?

Eu sei dar mimo. O meu bebé sabe que eu sei. Aqueles dedinhos tão perfeitinhos e aqueles olhos que só me apetece beijar, olham para mim como quem olha para quem dá mimo. Eu amo-o tanto! Não sabia que era possível. Eu ouço mal... e se ele chora a meio da noite e eu não acordo? Não posso pegar no sono profundo. Estou tão cansada! E se ele precisa de mim?...

Queria tanto mergulhar na banheira. Mergulhar de cabeça e sentir paz e silêncio e sossego... Vou encher a banheira e acabar com isto de uma vez. Espera, ele tem que chegar a casa primeiro. O bebé vai ficar sozinho, pode precisar de mim. Eu tenho que ficar aqui... por enquanto. Ele ainda ficou na festa com os nossos amigos. Ouço os foguetes, mas não tenho ninguém para festejar. Ainda ontem esteve no café com o pessoal. Porque quer estar com eles e não connosco?

Vou abrir aquela garrafa. Já está no frigorífico há tanto tempo, deve estar fresco. Vou adormecer num instante e já não vou sentir mais nada. É isso! Não posso... e se ele chora outra vez?

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21
Mai21

Desafio dos Pássaros 3.0 - Tema 2 - Afinal havia outro...Fogão!

Sam ao Luar

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— Maria, nem sabes o que me aconteceu hoje no trabalho.

— Então, Manel? Olh'ó fogão.

— Estava eu a chegar ao parque de estacionamento e não é que, àquela hora, já estava cheio! Porra, pensei eu, será que cheguei atrasado? Mas não, estava mesmo cheio!

—  E então?

— Vinha um colega no carro atrás de mim e eu até lhe liguei ali mesmo: “Ó Tozé, isto está cheio.  Aonde vais meter a viatura?”

            —  Vou meter ali no parque de cima. Vou já dar aqui a volta, mas'é!

            — Eu nem sabia que havia parque de cima!

— Afinal havia outro parque... Fogão.

— Entretanto cheguei à minha secretária e não é que estava lá o telemóvel da empresa! E eu a pensar que andava com ele. Se o chefe me ligasse, estava lixado. E não é que estava no bolso? Então, tinha ligado ao Tozé, não é? Mas estava lá mesmo outro.

— Afinal havia outro telemóvel, qual é o mal? Fogão!

— Olha, apareceu um gajo que eu nunca tinha visto.

           — Bom dia, sou o Jorge. Viu o meu telemóvel da empresa? Se me ligam outra vez, estou queimado. Não me lembro onde o pousei, pá!

            Pensei eu: “Então e o Miguel, o outro estagiário? Era porreiro!”

— Afinal havia outro estagiário?... Fogão!

 — Havia o Miguel. Era fixola. Mas este Jorge até me ensinou a usar o outro programa para manobrar a maquinaria pesada. Muito mais fácil!

— Ai afinal havia outro programa?... Fogão!

— Acabamos por ir almoçar juntos. Perguntei-lhe se queria ir àquele tradicional da esquina. Aquele, sabes? Que tem o prato do dia. Ele até me indicou outro que é bem mais barato. 

— Afinal havia outro restaurante... Fogão, Manel!

—Olha, até se comeu bem. Se calhar vou começar a lá ir. E nem sabes, não é que a estrada nova está outra vez em obras? Tive de dar a volta... Por isso é que cheguei a esta hora. Tive de meter a morada no GPS. Encontrei outro caminho, não sou bom nisto?

— Já sabia que havia outro caminho... FOGÃO!

— Possa mulher, estás a enervar-me, caraças. O que tem o fogão?

— Olha, tem o jantar que acabaste de queimar, seu parolo! Que tal ires buscar outro?

 

08
Mai21

Desafio dos Pássaros 3.0 - Tema 1

Sam ao Luar

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Foram sempre poucos minutos que valeram por muitas horas.

Ouço a sua voz como quem murmura coisas bonitas, cheias de promessas.

Inspiro e expiro lentamente, o ar que entra já não chega...

 

O nosso olhar que se cruza e o meu tempo que para.

 

“Queres ser feliz comigo?” - foi o que os olhos disseram.

Um espaço entre nós que encurta. O barulho de fundo que se derrete.

E a mente vagueia para longe. Percorre em mim um arrepio e um desejo.

 

Ouço a nossa respiração alterada. O meu coração a bater forte.

“Um momento, por favor, que já volto”. A esperança, rapidamente, que se desfaz.

“Vamos ver o mundo, só nós?”

Isso, não o disse mas foi... o que tenho a certeza que quis dizer.

 

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Tema 1 - "Foi o que ouvi"

A mensagem é esta, mas tem que estar implícita.

Ora vamos lá ler com a devida "attention". 

 

08
Mai21

Abertura oficial - Desafio dos Pássaros 3.0

Sam ao Luar

Quis o destino que me encontrasse, em lugar de treino e desafio, com uma pessoa desafiante. Criamos alguma cumplicidade por artes mágicas (não sou uma pessoa de aproximação fácil...).

Apesar de ter conhecimento que tal personagem já era deveras conhecida e acarinhada, nunca tive à vontade suficiente para meter conversa com "personalidade ilustres". Com trocas de comentários pseudo-engraçados e sarcásticos nas redes sociais, em grupos que partilhamos o interesse, acabamos por trocar mensagens privadas. E foi tão bom!...

Contextualizando, foi em situação de isolamento/quarentena. Estamos todos sensíveis, com os nervos à flor da pele, com necessidade de contacto social e de desabafar. Encontrei um ombro amigo.

No meio de coisas e cenas, lá me convidou. Porque não o Desafio de Escrita Criativa dos Pássaros? Oh pá, nem sei o que é isso! Eu tenho lá jeito para essas coisas, não tenho jeito para nada que envolva criatividade e liberdade de expressão. Sou cientista... gosto de fazer exercícios de matemática para descomprimir (vá, podem descair os queixos que eu deixo...).

Assim, e como sou aquela pessoa que funciona muito à base do desafio, disse: "Vou pensar no assunto". Após saber o primeiro tema, a ideia surgiu-me da noite para o dia. Surpresa! Afinal, talvez até sejas capaz!

Está justificada a abertura oficial do blog. 

Para que não falte luar na tua vida. 

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