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Sam ao Luar

Sam ao Luar

13
Out21

Desafio Arte e Inspiração - El Sueño

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

Participam no desafio: Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, ConchaCristina AveiroFátima Bento GorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe Fritosetepartidas

El Sueno de Frida Khalo.jpeg

El Sueño por Frida Khalo

A minha infância passei-a em casa dos avós maternos com os meus primos. Sou da geração que nasceu na década de 80, éramos felizes e livres. Divertíamo-nos a atirar água aos carros que passavam com uma bisnaga, a molhar os pés no tanque grande no verão, a subir ao limoeiro que existia no meu do galinheiro e sentávamo-nos na cama grande a comer bolachas Maria e a ver a Rua Sésamo. Esmurrávamos os joelhos a andar de bicicleta e a cair, e aprendíamos assim a lidar com a dor e a vergonha de ter caído. Era a minha "casa". A minha avó fazia cevada com pão torrado com manteiga no fogão com bico de gás, ficava torrado mas não faz mal, e ainda me lembro do cheiro.

Crescemos, perdemos muita coisa. Deixamos de ser princesas, piratas, polícias e ladrões. 

Um dia a minha irmã liga-me, disse que a Cinda estava mal. Ela já estava muito doente há algum tempo. Nesse final de dia, voltei de novo à minha casa. Ela tinha os pés frios, calcei-lhe umas meias quentinhas. Sentei-me ao seu lado, peguei-lhe na mão. Agradeci-lhe por ter tomado tão bem conta de nós e ter sido uma boa avó. Ajudei o meu avô a dar-lhe a sopa.

Em casa, ao adormecer o meu filho, cantei-lhe a música "Se essa rua fosse minha" para adormecer. A minha avó faleceu doente nessa noite. Faleceu, em mim, uma parte do meu coração. Quanto ao meu avó, faleceu mais tarde, com saudades da minha avó com certeza. Eu estou feliz que eles estejam finalmente juntos. Eu sei que quando for, vou para junto deles. 

A música, quando a canto hoje, choro com saudades e sinto os meus avós junto a mim. Ensinei, entretanto, uma oração ao meu filho, que aprendi algures no tempo, e adaptei. Tenho a certeza que sempre que a diz os meus avós estão junto dele. Não sou crente, mas acredito.

"Anjo da Guarda, minha companhia,

Guarda a minha alma, de noite e de dia,

e os meus sonhos também."

 

 

22
Set21

Desafio Arte e Inspiração - Noite Estrelada

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

Participam no desafio: Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, ConchaCristina AveiroFátima Bento GorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe Fritosetepartidas

.Stary night de Vincent Van Gogh.jpeg

Stary Night de Vincent Van Gogh

 

O José chegou de ir buscar pão fresco e bateu a porta com força. O frio de Dezembro gela ossos! 

- JOSÉÉÉÉ!!!! 

- Credo! Que foi? Onde estás? 

Seguiu a respiração arfante da Maria e foi dar com ela na casa de banho, toda molhada, uma poça enorme de água no chão. 

- Não me digas que rebentou o cano do lavatório outra vez. Xiça! Desta vez chamo o picheleiro. Estou farto destes canos velhos! 

- És mesmo trengo, José, não vês que me rebentaram as águas? 

O José arregalou os olhos e começou a correr de um lado para o outro, parecia tonto "a mala da maternidade, a muda de roupa, o ovo para o carro...". 

- Ó José, pára homem de Deus! Olha, vou tomar um banho rápido que ainda temos tempo. Agora nem sei quando vou poder lavar o cabelo outra vez!  

Pouco depois, passados tormentos a tentar descer as escadas do prédio já velho sem elevador, a entrar no pequeno carro e a tentar sentar-se confortável, já dentro do carro diz o José: 

- Ouve lá, ó Maria, desculpa mas nem consigo pensar direito... para onde vamos? 

- Ai José, tu desgastas-me. Então não ouviste o Dr. Gabriel a falar no Hospital da Estrela? Já anda a dizer isso desde que me disse que estava grávida, Zé! 

Foi um parto sagrado. Uma hora pequenina. O menino era moreninho, cabelo escurinho, 50 cm certos de comprimento e uns rechonchudos três quilos e meio de chichinha. Cheirava a bebé, como todos os outros. A Maria sentiu o turbilhão de emoções que todas as mães sentem e o José derreteu-se por dentro. 

Era já meio da tarde, a noite chegava. Os três primos (quase irmãos) do José estavam de visita. 

- Então, o caminho foi fácil? 

- Era só seguir as setas da Estrela, sabes? - disse o irmão mais novo Baltazar com ironia. 

- Então e o nome do fedelho, já decidiram? - perguntou Gaspar. 

- Jesus - disse Maria, quase soltando um pinguinho de baba de gratidão e comoção, e olhando a criança com carinho. 

- Sério?........... 

- Olha lá, até parece que o teu nome é pouco fora do vulgar! - retorquiu rapidamente o José, em defesa de sua amada Maria, deixando Melchior até um pouco atrapalhado. 

Findas as visitas e entregues os presentes, Maria viu-se sozinha no quarto. Deu graças a Deus pelo sossego. Apenas o ruído dos ares condicionados, que bufavam ar quente e pareciam os mugidos das vacas lá da aldeia. Deitou o seu anjinho no berço, beijou a mãozinha pequenina e voltou a contar os dedinhos todos. Estava tudo certo. Murmurou entre dentes e sorrisos "Estás destinado a grandes coisas, meu filho. Tenho a certeza." 

 

 

 

 

 

 

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