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Sam ao Luar

Sam ao Luar

03
Nov21

Desafio Arte e Inspiração - Ilustração de Moda

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

Participam no desafio: Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, ConchaCristina AveiroFátima Bento GorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe Fritosetepartidas

Ilustração de Moda de Almada Negreiros.jpeg

Ilustração de Moda de Almada Negreiros

 

E se me falha a inspiração e eu não consigo escrever nada? A fonte secou, para mim, esta semana.

Por consideração a todos os que participam neste desafio, lamento desiludir-vos e prometo que para a semana me esforçarei devidamente.

Apreciemos apenas a arte contida na pintura. Em silêncio. E imagemos que vivemos naquela época, a época da Coco Channel, dos loucos anos 20, de Fernando Pessoa e Almada Negreiros. A época do cavalheirismo.

 

27
Out21

Desafio Arte e Inspiração - O Beijo

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

Participam no desafio: Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, ConchaCristina AveiroFátima Bento GorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe Fritosetepartidas

O beijo de Gustav Klimt.png

O Beijo de Gustav Klimt

Hoje em dia, mais do que nunca, percebemos que o cumprimentar de beijo, principalmente entre pessoas que nem se conhecem, é perfeitamente desnecessário. Cumprimentar de beijo a tia, a prima, o tio bêbado, o tio-avô velho (que nos enche de baba) já não se usa. Sinceramente, acho até mais interessante o "cotobeijo". E muito mais salutar, como é óbvio.

O beijo pode ficar reservado para quem realmente importa. Dar um beijo pode começar a ter muito mais significado. Já não é o simples cumprimentar, é o demonstrar afetividade genuína. É manifestar carinho por quem merece.

O ternurento beijo de boa noite aos filhos ganha torna-se um cobertor mágico de proteção contra os pesadelos e a promessa de que o dia irá chegar novamente. O beijo de coragem ao irmão. O beijo ao amigo é a confirmação de que ele realmente é importante. O beijo ao companheiro de vida dá borboletas na barriga, arrepia os pelos e faz cócegas na nuca. É o prenúncio de algo mais.

O abraço, sim, esse faz falta. Muita falta. O desejo de contacto e afeto é algo de que nunca pensamos vir a precisar. O isolamento, forçado ou não, torna-nos apáticos, insensíveis, desregulados. O homem é um ser social. Precisamos contacto social, precisamos de ser necessários e sentirmo-nos necessários. Aquele abraço ao pai e à mãe, ao aluno, ao amigo de longa data que já não vemos ao mesmo tempo, ao primo que está emigrado, ao treinador que nos mantém saudáveis física e psicologicamente. Um abraço ao próximo, sentir o coração a bater com coração porque, afinal, estamos vivos. E todos aqueles abraços que ainda gostaríamos de dar a quem cá está, a quem já não está.

Não é preciso falar, o abraço fala por si em silêncio.

 

 

 

06
Out21

Desafio Arte e Inspiração - 40 anos

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

Participam no desafio: Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, ConchaCristina AveiroFátima Bento GorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe Fritosetepartidas

40 anos de Fátima Mano.jpeg

40 anos de Fátima Mano

Será a desinspiração normal? Será a insensibilidade normal?

Quantas vezes dou por mim a não sentir. A não ter opinião ou comentário a fazer. A não me apetecer justificar, dar que falar ou participar em qualquer diálogo ou discussão.

Apetece-me passar despercebida, que não me façam perguntas para não ter que dar as respostas. Não quero ver notícias para não saber o que se passa. Para não ver a desgraça alheia, nem a felicidade dos outros, tão pouco. Dessensibilizar-me e desinspirar-me.

É cansativo ter que saber sempre o que dizer. É cansativo ensinar, passar o conhecimento. Quero ficar com ele para mim, com o que tenho e não ter que me preocupar se o passei. Quero fazer com ele o que me apetecer e dizer aos outros que o procurem, como eu procurei.

Quero poder sentar numa mesa de café, sozinha, sem sentir o peso da responsabilidade de que deveria estar noutro sítio qualquer, a fazer o que quer que fosse mais útil. Só estar. Quero sentar num banco de jardim, em frente ao rio, sentir a meresia lá ao fundo na foz, e não ter que pensar, nem sentir. Pegar naquela imagem e não ter que fazer o que quer que seja com ela. Tudo hoje em dia é uma foto, um clique, uma procura de amor fictício à distância.

Tudo é uma responsabilidade de partilhar, ser visto, ser ouvido, ter opinião, ser inovador, ser diferente. Não há orgulho em ser normal, passar despercebido, sentir o sol na cara ou os pingos da chuva e não dizer a ninguém. 

Eu chamo-lhe desligar o cérebro, porque também ele é uma máquina. E o meu? Precisa descansar.

29
Set21

Desafio Arte e Inspiração - O Grito

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

Participam no desafio: Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, ConchaCristina AveiroFátima Bento GorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe Fritosetepartidas

O Grito de Edvard Munch.jpeg

O Grito de Edvard Munch

Para quase toda a gente neste mundo, o ano de 2001 foi marcado pela queda das Torres Gémeas, nos Estados Unidos. Uma tragédia sem igual. As imagens são impressionantes, toda a gente recorda com amargura. Foi o ano em que o mundo mudou a todos os níveis: economica, política e socialmente. De repente, passamos a odiar um povo que nem sequer conhecíamos. Guerras foram feitas, inocentes morreram, outros tantos enriqueceram e o planeta continuou a girar.

O ano de 2001 foi também marcado por um evento que apenas um povo se lembra e, mesmo assim, apenas um punhado de pessoas se recorda. A Queda da Ponte de Entre-os-Rios. Foi em Março, antes da queda das torres e é natural que um dos eventos tenha escondido o outro. Bem no fundo, no recanto obscuro da memória.

O ser humano tem a capacidade de conseguir colocar-se no lugar do próximo e sentir o que ele sente. Com esforço, consegue vivenciar tanto a alegria como a tristeza e a dor. Chama-se empatia, mas nem todos querem treiná-la. Por preguiça. É doloroso sentir as dores do outro. Quero com isto dizer que o nosso esforço permite-nos colocar no lugar de dois indivíduos diferentes: aquele que morreu dentro de uma torre em queda e que morreu rápido. Tragicamente. Ou aquele que de repente lhe viu o chão fugir debaixo dos pés, no escuro, caiu na água fria, morreu agonizando vendo os seus amigos ou família a agonizar também. E nunca mais apareceu.

Os familiares, amigos, conterrâneos daquele concelho preso junto ao rio Douro, ainda gritam em silêncio junto aos destroços de uma vida destruída pelas saudades daquelas 59 pessoas que desapareceram, das quais apenas 23 corpos foram encontrados, não sabemos em que estado, e ninguém nunca foi responsabilizado.

Todos os que lá passam, se fecharem os olhos com força, ainda conseguem ver os pequenos botes de salvamento a vaguear o rio no escuro. Os pilares ainda lá estão. Não foi construído nenhum memorial. É um lugar monstruoso, sem fé. Adormece a alma. 

22
Set21

Desafio Arte e Inspiração - Noite Estrelada

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

Participam no desafio: Ana DAna de DeusAna Mestrebii yue, Célia, ConchaCristina AveiroFátima Bento GorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMariaMaria AraújoMarquesaMiaMartaOlgaPeixe Fritosetepartidas

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Stary Night de Vincent Van Gogh

 

O José chegou de ir buscar pão fresco e bateu a porta com força. O frio de Dezembro gela ossos! 

- JOSÉÉÉÉ!!!! 

- Credo! Que foi? Onde estás? 

Seguiu a respiração arfante da Maria e foi dar com ela na casa de banho, toda molhada, uma poça enorme de água no chão. 

- Não me digas que rebentou o cano do lavatório outra vez. Xiça! Desta vez chamo o picheleiro. Estou farto destes canos velhos! 

- És mesmo trengo, José, não vês que me rebentaram as águas? 

O José arregalou os olhos e começou a correr de um lado para o outro, parecia tonto "a mala da maternidade, a muda de roupa, o ovo para o carro...". 

- Ó José, pára homem de Deus! Olha, vou tomar um banho rápido que ainda temos tempo. Agora nem sei quando vou poder lavar o cabelo outra vez!  

Pouco depois, passados tormentos a tentar descer as escadas do prédio já velho sem elevador, a entrar no pequeno carro e a tentar sentar-se confortável, já dentro do carro diz o José: 

- Ouve lá, ó Maria, desculpa mas nem consigo pensar direito... para onde vamos? 

- Ai José, tu desgastas-me. Então não ouviste o Dr. Gabriel a falar no Hospital da Estrela? Já anda a dizer isso desde que me disse que estava grávida, Zé! 

Foi um parto sagrado. Uma hora pequenina. O menino era moreninho, cabelo escurinho, 50 cm certos de comprimento e uns rechonchudos três quilos e meio de chichinha. Cheirava a bebé, como todos os outros. A Maria sentiu o turbilhão de emoções que todas as mães sentem e o José derreteu-se por dentro. 

Era já meio da tarde, a noite chegava. Os três primos (quase irmãos) do José estavam de visita. 

- Então, o caminho foi fácil? 

- Era só seguir as setas da Estrela, sabes? - disse o irmão mais novo Baltazar com ironia. 

- Então e o nome do fedelho, já decidiram? - perguntou Gaspar. 

- Jesus - disse Maria, quase soltando um pinguinho de baba de gratidão e comoção, e olhando a criança com carinho. 

- Sério?........... 

- Olha lá, até parece que o teu nome é pouco fora do vulgar! - retorquiu rapidamente o José, em defesa de sua amada Maria, deixando Melchior até um pouco atrapalhado. 

Findas as visitas e entregues os presentes, Maria viu-se sozinha no quarto. Deu graças a Deus pelo sossego. Apenas o ruído dos ares condicionados, que bufavam ar quente e pareciam os mugidos das vacas lá da aldeia. Deitou o seu anjinho no berço, beijou a mãozinha pequenina e voltou a contar os dedinhos todos. Estava tudo certo. Murmurou entre dentes e sorrisos "Estás destinado a grandes coisas, meu filho. Tenho a certeza." 

 

 

 

 

 

 

15
Set21

Desafio Arte e Inspiração - A Onda

Sam ao Luar

Desafio Arte e inspiração

"A Grande Onda de Kanagawa" de Katsushika Hokusai

"A Grande Onda de Kanagawa" de Katsushika Hokusai

Ela caminhou descalça pelo passadiço de ripas de madeira que dava acesso ao areal. Estava vento e o mar estava bravo. Desceu as pequenas escadas e colocou o pé direito na areia. Estava fria mas sabiam bem as pequenas pedrinhas entre os dedos. 

Caminhou devagarinho em direção ao mar. O vestido rendado branco dançava com o vento e enrolava-se-lhe nas pernas. O cabelo esvoaçava, os caracóis ondulantes e a salitra começava já a entranhar-se no cabelo, que começava a ficar pegajoso.  

O céu estava coberto de nuvens cinzentas e ela pensou que poderia até chover. Aproximou-se devagarinho do mar, queria fazer-lhe uma pergunta mas tinha receio. Ele hoje estava bravo. As ondas batiam fortes na areia, o barulho era quase ensurdecedor mas ela não teve medo.  

Primeiro o dedo grande do pé. A água estava fria, o mar azul escuro quase preto, a espuma envolveu-lhe os tornozelos. E a onda levou a água salgada de volta. Veio mais uma e outra e outra, fortes. Ela não arredou pé. 

Ouvia uma voz meiga ao longe, que lhe acalmava o coração. Pedia-lhe que respirasse fundo e sentisse o corpo a relaxar. Pediu-lhe para imaginar o seu lugar preferido. Ela teve coragem e fechou os olhos. Continuou a sentir a água fria nos pés e sentia que, se o mar quisesse, podia levá-la com uma simples onda bem forte. 

Ficou com os olhos fechados algum tempo, que pareceu uma eternidade e foram apenas breves instantes. Quando os abriu, o mar estava calmo. Muito calmo, sem ondas, o mar enrolava na areia com carinho e o som relaxante tschhhhh tschhhh. Perguntou-lhe “Vou ficar bem, não vou?” 

Ouviu novamente aquela voz tão familiar, que falava com carinho: “Devagarinho, vão mexer os dedos das mãos e dos pés. Respirem fundo, abram os olhos devagarinho. Quem estiver de barriga para cima, leva os joelhos ao peito. Quem estiver de lado, adota a posição fetal e devagarinho senta com as pernas cruzadas. Bom trabalho.” 

A aula terminou.  

 

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